
Agora, sim, a família tá completa. Um sonho!Um espaço pra reunir novos achados e algumas preciosidades que venho colecionando na memória desde que descobri o lado mais bacana da vida, que é a possibilidade de se deixar inebriar e confortar pela beleza dos morangos, mesmo que azedos.
Foto: Marcelo Dischinger
final de semana, dissolveu por completo esse meu ranço idiota.
e latas velhas em instrumentos, tirando sons incríveis! Somados a isso, cenários e objetos que participam como personagens, poucas palavras, situações inusitadas, clima surreal. Destaque para a trilha sonora, baseada no cancioneiro nordestino, com direito a Luiz Gonzaga e Jards Macalé.
Um homem observa da janela uma paisagem totalmente coberta de neve, quando percebe ao longe um chapéu vermelho contrastando com a imensidão branca. A presença inusitada daquele objeto lhe desperta uma enorme e imediata curiosidade. “A quem será que ele pertence? Como foi parar ali?”, pergunta-se enquanto cede à irresistível tentação de chegar mais perto. Já com o chapéu nas mãos, vê, mais adiante, uma moça caminhando apressadamente em direção a uma casa isolada no alto de uma colina. “É ela”, pensa. “A linda moça de cabelos castanhos e olhos de chuva que encontrei outro dia na vila, lendo cartas antigas numa feita de antiguidades”. Ele tem alguns segundos pra decidir o que fazer. Segue a mulher para devolver-lhe o chapéu? Leva-o pra casa e o oferece de presente a alguém especial? Deixa-o ali mesmo, no chão, sem interferir em seu destino?
O livro é voltado muito mais para a capacidade de cada leitor de imaginar o tempo do que para a figura de Albert Einstein. São 30 capítulos, com três páginas cada, escritos em forma de minidiário. Neles, o autor imagina sonhos incomuns que o jovem cientista teria tido em trinta noites seguidas, após registrar patentes e trabalhar em teorias. Nestes sonhos, verdadeiros poemas em prosa, o tempo pode ser circular, descontínuo, lento. Pode andar para trás, tomar a forma de um rouxinol, ser percebido através das sensações e transcorrer todo num único dia - nascimento, vida e morte. Uma leitura leve e agradável, apesar do conteúdo inquietante, que nos faz pensar no que poderá ser realmente O Tempo e cujos capítulos nos oferecem mundos credíveis, nem que seja no universo onírico.
Voltando ao filme, trata-se do trabalho mais maduro e sensível de Kevin Smith - que se firmou como um dos roteiristas mais interessantes e originais da sua geração, com incrível talento para escrever diálogos rápidos, inteligentes e hilariantes. Em “Procura-se Amy”, comédia romântica repleta de referências à cultura pop, ele oferece belas e surpreendentes análises sobre o comportamento e os relacionamentos humanos através de uma história realista, com personagens inseguros, inexperientes e cheios de dúvidas.




Permitam-se conhecer Antony and the Johnsons e irão compreender definitivamente o que é sentir prazer com a dor. Nada de auto-mutilação, sadomasoquismo, amores platônicos e outras tentativas inúteis de preencher o vazio da existência castigando a si mesmo. Antony canta a dor em estado puro e doses cavalares, mas de um jeito redentor, que nos eleva e purifica o espírito. Feche os olhos e sentirá sua alma flutuando em águas mornas, após expurgar tudo aquilo que lhe aprisiona. É provável que algumas lágrimas invadam seu rosto. Mas logo darão lugar a um sorriso brando, que se abrirá como as asas de um pássaro.
Meu querido amigo e bluesman favorito, Jean Mitchell , se foi. A esta altura, desejo que esteja cantando “I feel good” ao lado de James Brown - já que penou durante mais de um mês no hospital das Obras Sociais Irmã Dulce, desde que foi encontrado por uma ambulância do SAMU, desacordado sob um temporal nas ruas do Centro Histórico, onde estava vivendo há meses em situação de indigência.
Passou pelo meu radar um duo norte-americano bem bacaninha, que lembrou minha adorada Cowboy Junkies e também The Sundays, principalmente pela suavidade de suas canções. Pia e Jason Robbins se auto-intitulam The Comforters e definem o som que fazem como "a piano, a acoustic guitar and lots of trees".
O álbum de estréia, Transplants, foi lançado em 2006 e o segundo está sendo finalizado num estúdio na pequena cidade de Eugene (Oregon), onde o casal vive e tem feito seus shows. A voz de Pia, que canta todas as músicas, é algo entre Aimee Mann (aquela da trilha do filme Magnólia) e Jewel. Algumas faixas do primeiro disco estão disponíveis para download na Last FM. E falando na rádio dos artistas parecidos com o Dois em Um, foi lá também que eu achei algo, talvez, tão legal quanto The Comforters: a banda francesa Loons. As únicas coisas que eu sei à respeito até agora é que o som é indie/pop/acústico e que seus integrantes formam, hoje, as bandas "Flowers From The Man Who Shot Your Cousin" e "Cowbird"(que eu também não conheço). No entanto, pelo pouquinho que ouvi, acho que vale a dica.


Nobreza ou covardia? O que leva alguém a abrir mão de um amor daqueles que só acontecem uma vez na vida? Sou uma romântica irremediável e morro toda vez que assisto à cena final de “As pontes de Madison”. Caso você não tenha visto o filme ainda, decida agora se quer mesmo ler esse post, pois não pretendo te poupar de nenhum detalhe magistralmente incluso no desfecho desta obra-prima do cinema.
Foto: Thiago FernandesParticipação da Jean Mitchel Blues Band no Recôncavo Rock Festival
Conheço algo que pode te interessar. Coisa fina. Uma mistura de horas mortas, dias pintados de chumbo, gatos à noite nos telhados, lágrimas negras de noites insones, sorriso arrancado como grama, sal que estanca a alma raptada, saudade que estraçalha serenidade, ódio espesso mantendo a calma, vozes ecoando nas estantes, palavras feito encruzilhadas. Junto à poesia contida nesses versos, doses ideais de guitarras dissonantes e com múltiplos efeitos, linhas de baixo navegando em maremotos sem perder o prumo, bateria trovejante e uma voz rasgada, verdadeira e singular. Tudo isso embebido em melodias inspiradas, daquelas que parecem ter nascido conosco, que despertam identificação imediata com algo adormecido, como se já as conhecéssemos de outros mundos. É isso. Apresento-lhes meu entorpecente favorito. Um brinde à Theatro de Seraphin.
É. Coisas acontecem. Estava eu, um dia desses, por acaso, na página de recados de Artur Ribeiro no Orkut, quando me deparei com uma singela imagem da violoncelista carioca Fernanda Monteiro e do músico e produtor baiano Luisão Pereira, feita pela fotógrafa Mbeni Waré. Fernanda, em primeiro plano, abraçada ao seu violoncelo. Luisão, um pouco atrás, acompanhado de uma guitarra. No fundo, uma parede laranja, com uma luz maravilhosa, e ambos com um semblante sereno, típico de quem ajudou a lapidar o mundo, doando o que se tem de melhor.